Destinos,  Europa,  Polónia,  Roteiros

POLÓNIA: ROTEIRO DE 8 DIAS

Já não é novidade que a Polónia deveria ter sido o nosso destino de Março, mas foi cancelado devido à Pandemia. Outubro trouxe-nos uma frecha de esperança e, depois de muito equacionarmos, marcámos o voo apenas com 4 dias de antecedência. Hoje, vamos partilhar o nosso roteiro de 8 dias pela Polónia.

Se pretendem marcar a vossa viagem de forma independente, deixamos aqui a nossa sugestão. A lógica de organização será a mesma, ainda que com alterações nos preços e na dinâmica das visitas a Auschwitz.

Depois de voo marcado (Porto – Cracóvia – Porto), carro alugado (com levantamento no terminal), apenas a primeira noite reservada e seguro de viagem (IATI Escapadinhas), este foi um roteiro de 8 dias pela Polónia um pouco ao sabor do vento, sem pressas e onde deixamos uma grande margem para improviso.

# Dia 1 - Porto / Cracóvia / Varsóvia

Depois de 3h30 de voo do Porto até Cracóvia, aterrámos na Polónia já eram 12h. Levantámos o carro no balcão da Alamo, que fica no terminal e, sem qualquer tipo de procedimentos Covid-19 para a entrada no país, a não ser o formulário que preenchemos a bordo, deixámos o aeroporto de Cracóvia-Balice, em direção a Varsóvia.

A viagem durou cerca de 3h45 mas, com a paragem que fizemos para almoçar, já chegámos a Varsóvia ao fim da tarde. Como saímos de Coimbra às 3h da manhã, visto que tínhamos voo às 7h no Porto, já estávamos cansados. Instalámo-nos no apartamento que reservámos mesmo ao pé do Palácio da Cultura (a única noite que tínhamos reservada), demos uma volta na zona, encontrámos um sítio para jantar, comprámos o pequeno almoço para o dia seguinte e decidimos descansar. No dia seguinte queríamos estar frescos e fofos, para acordar bem cedo e conhecer a cidade.

Onde Comer em Varsóvia: Tutti Santi

Sem procurar muito, foi no Tutti Santi que entrámos, porque ficava mesmo ao pé do apartamento onde estávamos alojados. Focaccia, Raviolis de Cogumelos e Tagliatelli de Presunto foi a ementa perfeita e super saborosa, mesmo ao virar da esquina.

Onde ficar em Varsóvia: Apartment Strict Warsaw Center (39€/noite)

#Dia 2 - Varsóvia

O segundo dia do roteiro de 8 dias pela Polónia, começou com uma caminhada matinal por um dos muitos parques da cidade. Sim, Varsóvia está repleta de zonas verdes. Numa das extremidades do Ogród Saski, encontram o Túmulo do Soldado Desconhecido, um monumento em homenagem a todos os soldados que combateram na defesa do país e cujos corpos nunca foram encontrados.

Seguimos em direção à Praça do Castelo, onde, como o próprio nome indica se encontra o Castelo Real de Varsóvia, a Coluna de Sigismundo e um conjunto de restaurantes charmosos que dão, em conjunto com os edifícios coloridos, um ar bem pitoresco a esta praça.

A cidade Velha de Varsóvia foi uma bela surpresa. 85% da cidade ficou destruída durante a 2ª Guerra Mundial, no entanto, foi reconstruída numa tentativa de réplica do que era antes. As casas coloridas da Praça do Mercado, os detalhes das fachadas, a muralha defensiva, conhecida como Barbican, construída em 1540, são elementos que nos fazem entrar numa verdadeira viagem medieval.

Descemos até às margens do Vístula e, voltámos a entrar na cidade nova, em direção ao Memorial do Levante de Varsóvia. Este monumento é uma homenagem a todos os que defenderam a cidade, num combate armado que durou 63 dias, contra a Alemanha Nazi em 1944.

Terminámos o dia no Palácio da Cultura e Ciência de Varsóvia, um verdadeiro cartão postal da cidade, mas que não deixa de gerar controvérsia entre o povo Polaco. O Palácio foi a oferta de Estaline, por isso, uma parte dos polacos gostaria de ver o edifício demolido devido à opressão que sofreu pelo regime Soviético, após a 2ª Guerra Mundial. Já outros, acham que é o símbolo da independência do país e que relembra um povo que se reergueu das cinzas.

Onde Comer em Varsóvia: Beef n´Pepper

O aspeto fala por si certo? Um fillet mignon divinal para deixar Varsóvia em bom!

 

Onde ficar em Varsóvia: Apartment Strict Warsaw Center (39€/noite)

#Dia 3 - Varsóvia / Gdansk

O terceiro dia deste roteiro pela Polónia, levou-nos até Gdansk, uma cidade que já estava nos planos de Março. Mas, já na altura havia a indecisão entre seguir para a costa norte ou em direção a Zakopane e às montanhas de Tatra, mas deixámos esta última opção pendente para uma futura viagem apenas de natureza.

Apesar de termos feito um grande desvio, muitas horas de carro e uns bons quilómetros, dizemos, com toda a certeza, que esta foi a nossa cidade preferida de todas as que visitámos na Polónia.

O plano era parar em Malbork, uma zona medieval a cerca de 50 minutos de Gdansk mas estava a chover torrencialmente, portanto seguimos caminho. Depois de 4h na estrada durante a manhã, chegámos a Gdansk à hora de almoço.

Como a tarde não estava animadora a nível climático e visitámos a Polónia sem planos bem definidos, o João deu a sugestão de visitarmos o Museu da 2ª Guerra Mundial, o único no mundo dedicado exclusivamente a este tema. A entrada no museu são 5€ por pessoa e que valem bem a pena. São recriados ambientes que nos colocam num verdadeiro cenário de guerra. Demorámos 2h nesta visita, que conta todos os pormenores da 2ª Guerra Mundial, onde a história dos culpados e das vítimas é contada a par. Fomos envolvidos pelo ambiente de terror e saímos de lá com vontade de respirar e desfazer o nó no estômago.

Quando saímos do museu já era de noite. Percorremos novamente o caminho que nos levava ao alojamento, sempre junto ao Rio Motlava, na esperança que o dia seguinte nos presenteasse com sol, porque o pouco que tínhamos visto da cidade foi paixão à primeira vista.

Onde ficar em Gdansk: Apartment Dlugie Ogrody

40€/noite

Onde comer em Gdansk: Machina Beats

#Dia 4 - Gdansk

Na manhã seguinte decidimos visitar Malbork que tinha ficado pendente no dia anterior. O Castelo de Marienburg é a maior fortaleza do mundo toda construída em tijolos. Este castelo esteve sempre envolvido na história da Polónia, desde a Idade Média e as trocas comerciais no Báltico, até à 2ª Guerra Mundial.

Regressámos a Gdansk para explorar a cidade. Ao atravessarmos o Green Gate entramos no Mercado Longo, uma área cheia de restaurantes, bares pubs e lojas, praticamente todos vazios devido à situação da Pandemia. Percorremos o Caminho Real desde o Green Gate até ao Golden Gate, passando pelo Museu de Gdansk e pela Fonte de Neptuno, uma homenagem da cidade ao Rei dos Mares. É impossível não ficar de queixo caído com a beleza da cidade.

A cabeça sempre apontada para cima enquanto adoramos fachadas e detalhes levou-nos ao fim do Caminho Real e ao edifício da antiga Prisão de Gdansk, agora convertida no Museu do Âmbar. A cidade é conhecida pela exportação do produto, sendo a Capital Mundial do mesmo.

As margens do Motlava são uma delícia para parar e desfrutar apenas, sem grande pressa. A torre da Igreja de Santa Maria, o Portão Chlebnicka e o Guindaste são elementos que parecem confundir-se com o casario mas que dão um charme única à cidade, juntamente com as luzes dos restaurantes à beira rio, que se acendem com o cair da noite.

Foi eleita a nossa cidade preferida deste roteiro de 8 dias na Polónia.

Onde Comer em Gdansk: Motlava

O João diz que o entrecosto do Machina Beats era melhor mas, que, ainda assim, este não estava nada mau. Foi a nossa estreia nos Pierogis e são mesmo muito bons. Não podem deixar de provar esta especialidade Polaca.

Onde ficar em Gdansk: Apartment 53 Dlugie Ogrody (40€/noite)

#Dia 5- Gdansk / Wroclaw

A viagem de carro foi longa. Saímos de Gdansk bem cedo para rentabilizar o tempo e chegámos a Wroclaw depois do almoço, visto que 5h de carro separam as duas cidades. Isto sem pausas…

Deixámos as malas e fomos conhecer a cidade. Depois de palmilharmos a cidade de uma ponta à outra, houve uma grande indecisão entre escolher Gdansk ou Wroclaw como a nossa preferida do roteiro. Gdansk continua no topo, mas com uma diferença mínima.

A Praça Central do Mercado é divinal. Somos embrenhados num mundo de fachadas coloridas e adornadas, de candeeiros antigos e restaurantes de charme. Existe, numa das artérias da Praça Central, uma praça mais pequena, a Praça Solny, que funciona há séculos como Mercado das Flores. No centro da Praça encontram a Igreja de Santa Isabel, o Relógio Astronómico e o edifício da Câmara Municipal, numa arquitetura de harmonia onde nada destoa.

Visitar Wroclaw sem partir à descoberta dos pequenos gnomos não é a mesma coisa. Os Gnomos de Bronze de Wroclaw são um ícone da cidade e uma homenagem à independência, dos quais falaremos num post exclusivo sobre a cidade. 

Percorremos as margens do Odra, passando pelas ruínas de um dos Portões da cidade antiga, que se localiza bem perto do Parque Julius Slowackiego e do Museu Nacional de Wroclaw. Não visitámos o museu, já sabem que não somos apaixonados… O que nos apaixonou mesmo foi a fachada e a obra prima que a natureza fez neste edifício.

Percorremos a cidade a pé, passando pelas mil pontes que a cruzam. Desde o bairro da Universidade até à Ilha das Catedrais, Wroclaw é apaixonante. A zona das Catedrais é a mais antiga, onde podem visitar a Catedral de São João Batista e cruzar também a ponte mais famosa e antiga, a Ponte Tumski.

Já era noite cerrada e hora de regressar ao alojamento depois de um longo dia. Mas não sem antes passar no minimercado e comprar algo para a refeição. Não jantámos fora porque todos os restaurantes do centro estavam cheios de gente nessa noite. Parece que os Polacos saíram em peso para jantar, antes de entrarem em vigor novas medidas de combate à Pandemia. O governo Polaco decretou, entre outras medidas, que os restaurante teriam de encerrar ao público, estando abertos apenas para entregas, a partir do dia seguinte. Viajar em Pandemia é readaptar-nos por isso passámos os restantes dias da viagem a usar aplicações de entregas ou a cozinhar no apartamento. Além disso não quisemos correr riscos desnecessários nessa noite em particular e entrar num restaurante cheio de gente. Se é para ir, tem de ser em consciência!

Onde ficar em Wroclaw: About Art Apartments (55€/noite)

#Dia 6 - Wroclaw / Auschwitz / Cracóvia

O sexto dia deste roteiro de 8 dias pela Polónia, começou bem cedo com uma última grande caminhada por Wroclaw. Queríamos visitar a cidade à luz do dia, uma vez que no dia anterior já tínhamos visto a grande maioria dos locais já de noite. Encontrámos mais uns quantos gnomos e tirámos mais umas mil fotos daquele centro histórico maravilhoso.

A seguir à hora de almoço seguimos para mais 2h30 de viagem até uma cidade bem conhecida por todos pelas piores razões, Oswieciem, para visitar o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.

Auschwitz é um lugar obrigatório para quem visita a Polónia. Na nossa opinião, todos deviam ter a oportunidade de visitar um campo de concentração uma vez na vida. Este, era um lugar que estava há muito na nossa lista de coisas que queríamos fazer enquanto viajantes. Como é óbvio, não podia ficar de fora deste roteiro de 8 dias pela Polónia, ainda que achemos que não deva ser encarado como uma visita turística. Mas falaremos de todos os detalhes e da nossa opinião dedicado apenas a este lugar.

Reservámos os bilhetes no site , no dia anterior, para uma visita livre, visitas essas que são sempre realizadas da parte da tarde. Ora, numa época normal, fora da Pandemia, é impensável reservar os bilhetes apenas com um dia de antecedência, uma vez que se arriscam a não ter vaga no horário e dia que pretendem.

Este não foi o primeiro campo de concentração que visitámos. Já tínhamos estado em Dachau, em 2017, daí termos achado que não foi tão impactante para nós como dessa vez, o que não invalida que não seja um lugar com uma energia bastante pesada.

 

A hora que nos restava de carro até Cracóvia serviu para digerir a visita e fazer um balanço daquilo que tínhamos acabado de ver.

Chegados a Cracóvia já pela hora do jantar e já não voltámos a sair do apartamento. Encomendámos comida e preferimos descansar para acordar bem cedo no dia seguinte.

Onde ficar em Cracóvia: Crystal Luxury Apartments (45€/noite)

#Dia 7 - Cracóvia

Cracóvia foi a última cidade que visitámos no nosso roteiro de 8 dias pela Polónia e foi aquela que menos gostámos. Achámos que, comparativamente às outras cidades que visitámos era a mais turística e com menos alma.

Começámos com a bela caminhada matinal na natureza, no Parque de Cracóvia. Este parque é uma zona verde gigante que rodeia quase todo o centro histórico. Dirigímo-nos à muralha defensiva da cidade, que tem ligação ao famoso Portão St. Florian. O próprio portão tem uma defesa extra, o Barbacã, uma estrutura circular com paredes de 3 metros de espessura.

Seguimos pela Rua Florianska em direção à Praça do Mercado, Rynek Glowny, que data do século XIII e é Património Mundial da Unesco. Estava vazia, sem vida, apesar de ter sido classificada como uma das mais belas praças do mundo e ser uma das maiores praças Medievais da Europa. Aqui, podem visitar a famosa Basílica de Santa Maria com as suas duas torres assimétricas, a Torre do Relógio da antiga Câmara Municipal e o antigo Mercado dos Tecidos, agora convertido em mercado de souvenirs. O Centro Histórico de Cracóvia foi dos poucos que sobreviveu, praticamente intocado, à 2ª Guerra Mundial.

Da Praça do Mercado seguimos pela Rua Grodzka, o designado Caminho Real, até ao Castelo de Wawel. O Castelo data do século XIII e, nos seus primórdios, era apenas uma estrutura de madeira, em plena Colina de Wawel. Foi sofrendo alterações e ampliações ao longo dos anos, até se tornar numa estrutura em pedra. Dentro da muralha podem encontrar um dos maiores locais de devoção de Cracóvia, a Catedral de Wawel, que também foi usada para celebrações de coroação.

No sopé do Castelo, nas margens do Rio Vístula existe a estátua do Dragão de Wawel, uma lenda associada a esta colina, onde seria a caverna do temido animal.

Terminámos o dia no bairro de Podgorze, o antigo gueto de Cracóvia, criado em 1941 pelo regime Nazi, com o objetivo de limpar a cidade. Além dos fragmentos do muro, a Praça Bohaterów é local mais emblemático do gueto. É aqui que se encontra o famoso Monumento das Cadeiras, uma homenagem de Roman Polanski a todos os judeus que foram obrigados a abandonar as suas casas. Era aqui que havia a seleção de quem ia e não voltava.

Onde ficar em Cracóvia: Crystal Luxury Apartments

45€/noite

#Dia 8 - Cracóvia / Porto

O último dia deste roteiro de 8 dias na Polónia foi, na realidade, o nosso regresso a casa. O voo era às 12h portanto já não dava para aproveitarmos o dia. Entregámos o carro de novo no aeroporto e foi hora de voltar a Portugal.

Esta foi a nossa primeira viagem além fronteiras em plena Pandemia e, receios à parte, não nos arrependemos nada. O que aprendemos? A não ter planos bem definidos, a deixar-nos ir ao sabor do vento, com alguma capacidade de improviso e sem pressões, uma vez que tudo poderia mudar a qualquer momento.

 

Este roteiro de 8 dias pela Polónia foi a concretização dos planos pendentes de Março . Usufruímos de um encontro com um país que ficou na história pelos motivos mais tristes de sempre, facto provado do que um dia a espécie humana foi capaz de fazer ao seu semelhante.

Subscrever Blog

Sempre que publicarmos um novo artigo serão os primeiros a saber. Basta subscrever o blog para receberem a notificação de novos artigos por email.

Para organizares as tuas viagens...

Reserva aqui o teu alojamento ao melhor preço no Booking.


Preferes uma plataforma de alojamentos e experiências? Cria conta no Airbnb e recebe 20€ para gastares na tua primeira estadia.


Não viajes sem seguro, porque nunca sabes o que pode acontecer. Faz aqui o teu seguro de viagem com a IATI Seguros com 5% de desconto.


Estás farto das taxas bancárias que gastas em viagem? Usa o Cartão Revolut e diz adeus às taxas de levantamento.

Reserva a tua viagem através dos nossos links afiliados.
Poderás receber recompensas e estás a ajudar o blog.

Partilhar
  • 53
    Shares

Comentar

%d bloggers like this: