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Marrocos | O país que te faz viajar do oito ao oitenta num segundo

Chegados de seis dias em Marrocos em que percorremos  1300 Kms no país, sentimos que nem que planeássemos mil vezes esta viagem não estaríamos preparados para ela.

Porquê?

Não estamos preparados para as adversidades quando as coisas não correm como planeámos:

    • Não conseguimos encontrar o nosso Hotel dentro da Medina de Fez. A cidade velha é um autêntico labirinto. Escusado será dizer que tivemos de confiar num miúdo que dizia saber onde era o nosso hotel. Depois de ler tanta coisa sobre pessoas que tentam ajudar e te deixam perdido nos locais errados, confesso que não estava a confiar nele. O João ia atrás dele, sem ligar a nada, confiando naquele miúdo. E se não fosse um rapaz com ar Europeu, sentado na porta de uma casa a incentivar-nos a confiar no miúdo, porque ele conhecia a medina como a palma da mão, acho que ainda hoje estava a repetir a mesma frase na minha cabeça. E percebi como tinha sido injusta.
    • O João ficou doente. A pior coisa que te pode acontecer nas férias. Tudo indicava que era uma otite e nós sem saber como tudo funcionava naquele país. Sabendo a medicação que era necessária, a funcionária do hotel ajudou-nos e rapidamente nos arranjou o que precisávamos. Não esperávamos que tudo fosse tão rápido. Encontrada a solução era aguardar que ele melhorasse.
    • O hotel em Mèknes não era o que estávamos à espera. Havia ali alguma falta de higiene e cuidado com algumas coisas, pelo menos em relação ao que estamos habituados. Estavam 37º lá fora e nós só nos queríamos refrescar-nos um pouco, mas não chegou a acontecer. O João com dores, um calor abrasador e a piscina era só um tanque com água parada. Equacionámos seriamente em mudar de Riad, porque não nos sentimos confortáveis. Mas parámos, pensámos e decidimos que no dia seguinte, bem cedo, estaríamos a caminho de Rabat e nada mais importava.
    • Não poupámos dinheiro em transfers tal como tínhamos planeado. Depois da experiência em Fez, achámos por bem reservar o transfer de ida e volta para o aeroporto de Marraquexe directamente com o hotel. Queríamos poupar dinheiro e regatear um táxi que nos deixava perto da praça Jemaa El Fna. Mas pensámos que debaixo de 38 graus com as malas atrás, aquilo que menos queríamos era andar uma hora perdidos dentro da Medina de Marraquexe.

Não estamos preparados para os olhares:

Toda a gente sabe que tu és turista, como é óbvio. Vestimo-nos de forma completamente diferente, principalmente nós, mulheres. E se em Marraquexe, Casablanca e Rabat já quase ninguém quer saber se és turista ou não…em Fez e Mèknes não é bem assim. Os olhares são de avaliação/curiosidade, mesmo que as pernas e os braços estejam cobertos. Há uma grande discrepância de comportamentos impostos pela religião e isso foi a maior das diferenças culturais que encontrámos.

Não estamos preparados para conduzir em Marrocos

O trânsito é algo caótico. Não existem regras, excepto cumprir limites de velocidade e parar no semáforo, se bem que esta última ainda temos dúvidas. Não existem traços contínuos, nem duplos contínuos, nem faixas, nem uma lógica para fazer os cruzamentos. Basicamente o trânsito fora da autoestrada é caótico porque ninguém sabe muito bem qual a organização. Mas o João adorou a sensação e divertiu-se imenso. Parecia que estava na praia dele e ainda bem, porque conseguimos entregar o carro sem ninguém nos bater e sem bater em ninguém.

Não estamos preparados para as ruas

Não estamos preparados para o cheiro do monte de lixo que foi deixado na rua há dias sem fim. Não estamos preparados para sermos abordados insistentemente nas ruas para nos tentarem ajudar com localizações de Riads ou para vender qualquer coisa. Não estamos preparados para as moscas em cima do peixe ou de ver matar galinhas do meio da rua. Mas, depois de dois dias, já nada disso importa e já nem nós queremos saber.

Marrocos leva-nos a sentir mil emoções diferentes num curto espaço de tempo.

Se houve sítios que nos fizeram sentir mais desconfortáveis, houve outros em que nos sentimos verdadeiramente em casa, apesar da diferença.

Marrocos foi o nosso primeiro impacto sério com a diferença. Já tínhamos viajado para fora da Europa, mas num contexto diferente, em que fazíamos as típicas férias de resort e saíamos com excursões compradas e pré-fabricadas.

Desta vez, organizámos tudo sozinhos, sem guias, sem excursões, sem alguém a dizer-te o que deves visitar ou por onde ir. Sozinhos, desde o trânsito caótico ao jardim mais “in” da cidade, desde a rua suja e nauseabunda à mesquita mais imponente e bonita que já vimos, Marrocos é o nada e o tudo ao mesmo tempo. Um país de contrastes, de cores e cheiros.

 

Não foi agora que descobrimos que amamos viajar mas, sem dúvida que este país nos mostrou que temos alma de viajantes. Sabes que a tens quando tudo está mal dentro de ti, mas tu queres avançar, resolver e, no fim de tudo, queres repetir a experiência. Porque sabes que aquele amargo que sentes, se transforma, no momento a seguir, ou no dia a seguir, em algo que não consegues explicar e fica contigo para sempre. Transforma-se em força para resolveres os problemas, em respeito pelos outros, em tolerância à diferença.

No fim desta semana era fácil dizer que não queríamos mais ter uma experiência assim, só para nos mantermos dentro da nossa zona de conforto. Mas nós só queremos a próxima…

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