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MONSARAZ | O QUE FAZER NA ALDEIA MARAVILHA COM VISTA PARA O ALQUEVA

Monsaraz é dona de uma beleza deslumbrante e detém um trunfo do alto das suas muralhas, a vista privilegiada sobre o Alqueva.

Sabem que temos um objetivo em mente, visitar todas as aldeias vencedoras do concurso 7 Maravilhas de Portugal – Aldeias e, este roteiro pelo Alentejo, foi a desculpa ideal para visitar Monsaraz, a vencedora da categoria Aldeia Monumento. Mas não se enganem, porque não são precisas desculpas para visitar este lugar e passar uns dias com o grande lago como pano de fundo.

Queremos partilhar convosco o que não podem perder em Monsaraz, dentro e além das muralhas, onde existe outro mundo igualmente bonito para descobrir.

Quantos dias ficar?

Visitámos todos os locais aqui mencionados durante a nossa roadtrip pelo Alentejo e Algarve. Na nossa opinião, os dois dias que aqui passámos são suficientes para conhecer os sítios que vistámos. No entanto, acrescentar mais um dia será o ideal para aproveitar, com a calma necessária, os lugares que moram  junto ao Alqueva. Ainda assim, muito mais há por descobrir nos cinco concelhos (Portel, Moura, Mourão, Reguengos de Monsaraz e Alandroal) abrangidos pela barragem, pelo que, se querem aprofundar a vossa visita pelos arredores reservem uma semana completa.

Sobre Monsaraz...

Monsaraz é uma aldeia do concelho de Reguengos de Monsaraz. É importante distinguir estes dois lugares, uma vez que o facto de compartilharem uma parte do nome nada significa. Reguengos de Monsaraz é uma cidade que dista cerca de 15 kms da Aldeia Monumento de Monsaraz.

A ocupação da aldeia já remonta aos tempos pré históricos, comprovado por vários achados que foram feitos na região. O Cromeleque do Xerez é um dos exemplos, e iremos falar dele mais à frente. Depois da invasão da Península Ibérica pelos Muçulmanos, no século VIII, que queriam converter o povo ao Islão, esta zona ficou apelidada de Saris ou Sarish. Foi conquistada apenas no século XII, pelo grupo de saqueadores de Geraldo sem Pavor, que ajudou D. Afonso Henriques na conquista de vários locais do Alentejo. Passados poucos anos, Monsaraz foi perdida novamente para o Califado na Batalha de Badajoz e, reconquistada anos mais tarde, por D. Sancho II, com a ajuda dos cavaleiros templários.

O que visitar

# Fortificação Medieval e Castelo de Monsaraz

É possível percorrer todas as ruas de Monsaraz em pouco menos de meia hora, tempo esse que não é o suficiente para absorver a magia deste lugar e fazer jus ao que ele merece. Monsaraz, brinda-nos com o passado, a cultura, o património e uma paisagem soberba onde as cores do ouro e os verdes se misturam com o azul do espelho de água do Alqueva. Então, vamos com calma, toda a calma que este lugar merece.

Existem quatro entradas em Monsaraz, as quatro portas da fortificação seiscentista (Porta da Vila, Porta de Évora, Porta do Buraco e Porta d´Alcoba) que nos permitem entrar na aldeia medieval que não acompanhou o avançar dos tempos.

Porta d´Alcoba
Porta da Vila
Porta do Buraco

Enquanto avançamos, os nossos olhos são brindados com o reflexo forte do sol nas paredes todas caiadas de branco. Monsaraz é feita de xisto, cal e pormenores que não fazem esquecer a ancestralidade deste lugar.

Percorrendo a Rua Direita, onde estão localizados a grande maioria dos restaurante e alojamentos, rapidamente chegamos ao Largo Dom Nuno Álvares Pereira, onde podemos encontrar o Pelourinho, a Igreja da Misericórdia e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Lagoa.

Durante o mês de Julho dos anos pares, as ruas de Monsaraz são inundadas de arte, uma vez que decorre a bienal cultural Museu Aberto mas que este ano, devido à Covid-19, não se realizou e foi adiada para 2021.

Seguindo pela Rua Direita chegamos ao Castelo de Monsaraz, mandado erguer por D. Dinis, no século XIV. A antiga Praça de Armas foi convertida pela população numa praça de touros. O Castelo é pequeno e a Torre de Menagem estava fechada. Tendemos sempre a comparar os locais, é inevitável. E temos de admitir que o Castelo de Marvão deixa o de Monsaraz a um canto. No entanto, o cimo das muralhas oferece uma janela imensa sobre o lago Alqueva e faz-nos esquecer tudo isso. Do lado direito do Castelo podem encontrar a Casa da Inquisição. E, continuando a caminhada, é impossível não ir parando nas lojas de artesanato, cheias de arte com amor.

O facto do estacionamento ficar da parte de fora da muralha, permite-nos vaguear pelas ruas e descobrir a aldeia ao som dos nossos próprios passos e acompanhados pela própria sombra, o que torna a experiência ainda mais autêntica.

A beleza de Monsaraz não está na sua grandeza lá do alto da colina que guarda o Guadiana, mas sim nos pormenores subtis que nos aquecem o coração e nos permitem recuar no tempo. Está na beleza das ruas irregulares decoradas com flores, das portas que nos fazem viajar até outros séculos, dos candeeiros de rua antigos, da muralha de xisto que guarda esta aldeia maravilha e, como não podia deixar de ser, da vista soberba para o grande lago, como se estivéssemos a olhar para um wallpaper do Windows.

# São Pedro do Corval

Esta é a maior olaria de Portugal e uma das maiores da Península Ibérica. Em São Pedro do Corval, aproveita-se o que vem da terra e as mãos, já ensinadas há muitos anos, com o conhecimento quase hereditário passado de geração em geração, fizeram com que a tradição perpetuasse no tempo.

Os depósitos de argila que existem na zona de Reguengos de Monsaraz foram mantendo a atividade ao longo dos anos. As mãos são as marionetas da mente, e moldam o barro para criar peças de artesanato únicas, que são usadas tanto em decoração, como em tarefas da vida quotidiana.

Em São Pedro do Corval, as atividades ancestrais mantêm-se até aos dias de hoje e as peças aqui fabricadas podem ser encontradas em vários locais. Exemplo disso, foi esta lembrança que comprámos na Casa de Artesanato “Coisas de Monsaraz” e que foi pintada na maior olaria de Portugal.

# Cromeleque do Xerez e Convento da Orada

O Convento da Orada está fechado há vários anos e ao abandono, sendo visível já a degradação em vários pontos do edifício. Ainda que não seja possível visitá-lo, a sua vista desafogada sobre a planície alentejana e junto ao Cromeleque do Xerez fazem valer a paragem.

O Cromeleque do Xerez é um conjunto de 50 menires de granito, dispostos em quadrado, à volta do menir principal com quase 4 metros de altura. Este conjunto data de 4000 a.C. a 3000 a.C. , tendo sido deslocado da sua localização original, na Herdade do Xerez, para a aldeia do Telheiro, perto de Monsaraz, devido à construção da Barragem do Alqueva.

Apesar de parecer apenas um monte de pedras, é impossível parar aqui e não sentir que elas estão assim dispostas por algum motivo. Diz-se que os Cromeleques eram locais de culto aos astros e natureza, bem como de encontros tribais. E não deixa de ser interessante tentarmos imaginar como seriam esses tempos tão longínquos.

# Praia Fluvial de Mourão

A praia fluvial de Mourão ofereceu-nos o descanso merecido sob os raios de sol Alentejanos e um mergulho nas margens do Alqueva.

É uma praia de bandeira azul, com todas as infraestruturas necessárias (bar, wc e zona de merendas) e uma praia acessível a pessoas com mobilidade reduzida. Podem encontrar pontos de desinfecção de mãos desde o estacionamento até à área da praia. Foram criados sentidos de circulação no passadiço de acesso à praia e as sombras estão devidamente distanciadas. Portanto, aqui na Praia Fluvial de Mourão estão instauradas as medidas necessárias para passar momentos de descanso em segurança.

Para quem não quer ficar o dia todo na toalha, podem sempre alugar um caiaque ou uma mota de água e ter outra perspetiva do grande lago.

# Dark Sky

Desculpem não termos nenhuma foto sobre aquilo que os nossos olhos viram nesta noite, mas as nossas lentes não eram suficientemente boas para o captar. Há momentos que nos ficam marcados na memória, uns menos positivos, outros porque foi uma experiência muito boa e outros porque nos fazem lembrar da nossa dimensão e nos remetem para a nossa capacidade de relativizar as coisas e apenas, sentir o momento. E quando assim é, esquecemo-nos das câmaras. O Dark Sky do Alqueva foi, por isso, um dos momentos mais marcantes desta roadtrip pelo Alentejo e Algarve.

O lado negro do Alqueva pode ser observado com telescópios de vanguarda no Observatório do Lago Alqueva (OLA), onde é possível distinguir pormenorizadamente uma série de constelações, nebulosas e galáxias. O bilhete custa 15€ para adultos e as reservas devem ser feitas com antecedência. Têm no site todas as informações sobre preços e horários disponíveis.

Nós fomos aconselhados pelo Senhor António, do Restaurante Plano B, sobre o melhor local para ver este fenómeno a olho nu. E lá fomos nós, pela noite dentro, em direção à Praia Fluvial de Monsaraz. Parámos no sítio que nos foi recomendado e, no dia seguinte o Senhor António ligou-nos a perguntar o que tínhamos achado… Bem, o que dizer? Não tínhamos visto um lugar onde o céu, negro veludo, se pinta de estrelas, galáxias e poeiras cósmicas e onde somos assoberbados pela imensidão do espaço e pela nossa insignificância. Gostaríamos de traduzir em palavras a sensação de poder assistir a este fenómeno. Perdemos noção à quantidade de vezes que dissemos “wow” ou de quantas estrelas cadentes contámos.

O Alqueva foi o primeiro sítio do mundo a ser certificado pela “Starlight Foundation” (apoiada pela Unesco e pela Organização Mundial de Turismo) como um “Starlight Tourism Destination”. Este tipo de destinos são locais com fraca poluição luminosa e que permitem uma observação única do céu estrelado. De sublinhar que as autarquias que integram a Reserva Dark Sky reduzem a iluminação artificial entre as 23h e as 5h para que a experiência possa ser menos perturbada por fenómenos externos.

Nesta noite, dentro desta reserva que se estende por 10 mil kms quadrados em redor do Alqueva, fomos cobertos por um manto de estrelas e percebemos que somos apenas um grão de areia neste ínfimo universo onde cremos ser impossível estarmos sozinhos.

# Aldeia da Luz

Esta visita foi, talvez, a mais “triste” de toda a viagem. Mas pretendemos elaborar um post sobre este lugar que foi engolido pelas águas do Alqueva.

Houve um renascimento de uma nova Aldeia da Luz, para com ela poder existir a Barragem do Alqueva e o maior lago artificial da Europa.

Se quiserem ficar a conhecer um pouco da história da antiga e nova aldeia, bem como todo o processo de realojamento dos habitantes, podem visitar o Museu da Luz, que se situa junto de Igreja da Luz. O bilhete custa 2€ mas, como fomos num Domingo, a entrada é gratuita até às 13h, assim como para menores de 15 anos.

Onde comer em Reguengos de Monsaraz?

Restaurante Plano B

De todos os sítios onde comemos no Alentejo aqui há um 3 em 1: as melhores migas de espargos, a melhor Sericaia Alentejana e o melhor bolo rançoso. Efetivamente, o bolo rançoso do Plano B ganhou o 1ºPrémio no Festival de Maio de Moura.

E, se não fosse o Senhor António, não tínhamos terminado a noite de forma perfeita a ver o Dark Sky do Alqueva.

Monsaraz, é a menina que permaneceu na mocidade, enquanto o mundo avançou para outras idades e destinos.

A Aldeia Monumento de Monsaraz tem tanto para oferecer dentro, como fora da fortificação medieval, e o grande lago Alqueva é um dos grandes responsáveis pelas experiências maravilhosas que podem vivenciar ao visitar Monsaraz.

 

Esta é apenas uma das #10milhoesderazoes para ficar em Portugal!

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