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DE STIRLING A INVERNESS, A ROTA DAS HIGHLANDS

Tal como vocês decidiram na votação, aqui estamos nós para vos falar sobre a nossa viagem à Escócia.

Saídos de Edimburgo, efetuando a primeira paragem em Stirling e tendo como destino a cidade de Inverness, o objetivo era fazer a rota das Highlands, o trajeto mais desejado para quem visita o país.

Comprar um tour vs. Alugar carro

Ao planearmos a nossa  viagem, equacionámos mil vezes se iríamos visitar as Highlands num tour comprado. Depois de pesquisarmos um pouco acerca do assunto a decisão foi bastante fácil. Queríamos muito mais do que aquilo que os tours têm para oferecer. Apesar de existirem alguns bastante completos, nós queríamos mais da paisagem, menos de destilarias de whisky e, acima de tudo, queríamos o nosso ritmo. Não somos muito apologistas de circuitos pré feitos e de andarmos atrás da multidão.

O fator que, por norma, impede as pessoas de fazerem este roteiro por elas mesmas, é  alugar carro e conduzir ao contrário. Foi o que também nos deixou reticentes e o receio faz parte. Contudo, se a palavra de ordem é poupar, o aluguer do carro fica muito mais em conta que o valor dos tours. Para além disso conseguem visitar os locais que quiserem, no momento e à velocidade que quiserem.

Conduzir na Escócia

Foi uma estreia dupla, alugar carro pela primeira vez ao visitar um país e conduzir ao contrário do que estamos habituados.

Se esta é a razão pela qual não querem arriscar, não se agarrem a ela. No início não é fácil. O lugar do pendura é o do condutor, as mudanças ficam na mão esquerda, conduz-se na faixa da esquerda, nas rotundas entra-se pela esquerda, enfim…tudo funciona ao contrário. O cérebro precisa de se habituar a fazer tudo diferente do piloto automático ao qual já está habituado. Mas, é como tudo na vida, com muita atenção e passados alguns minutos, deixamos de sentir essa diferença.

E lá saímos nós do aeroporto de Edimburgo com previsão de mau tempo, um nevão gigante e a conduzir à esquerda.

Highlands

Dá-se o nome de Highlands às Terras Altas da Escócia, a zona montanhosa a norte do país. Em Escocês, a pronúncia equivalente a Highlands (A’ Ghàidhealtachd), significa terra do povo gaélico. Antigamente, era uma área bastante populada, o que já não acontece nos dias de hoje. A migração aconteceu, destas zonas para os grandes centros urbanos da Escócia e de Inglaterra. Ficou apenas a paz, as montanhas e a maior produção de Scotch Whisky.

É aqui que reside a maior beleza paisagística da Escócia, com zonas de montanhas cortadas por lagos a perder de vista. Somos inundados por paisagens de cortar a respiração.

De todas as viagens que fizemos, a Escócia foi o percurso natural mais bonito.

O que visitar

Stirling, Loch Lomond & Trossachs National Park

Este parque nacional é atravessado pelo Lago Lomond e a vista ao longo do caminho é soberba.

Stirling é uma das cidades que pertence a esta região e, ainda que não esteja geograficamente incluída nas Highlands, não deixem de a visitar. O castelo impõe-se no alto da colina e as ruas que descem até ao centro, transportam o nosso imaginário para um livro de magia.

Glencoe, Fort William e Ben Nevis

Depois de Inverness, Fort William é o segundo local com mais habitantes das Highlands e alberga a montanha Ben Nevis, a maior elevação do Reino Unido. É um lugar idílico, que parece parado no tempo. As embarcações vermelhas estrategicamente posicionadas ao longo do lago, flutuam ao sabor da ondulação, num contraste harmonioso com a montanha.

Glencoe, conhecida pelo massacre do Clã MacDonald, é uma vila situada no caminho entre Stirling e Fort William. Se tem algo de extraordinário? Não! Mas a envolvência da lojinha de souvenirs e bolinhos onde parámos para beber um café, é algo que mais parece uma ilustração do que realidade.

Glenfinnan

Este local é conhecido pelo famoso Viaduto de Glenfinnan, que aparece no segundo filme da saga Harry Potter, a câmara dos segredos. Nesse filme, a plataforma 9 3/4 fecha-se antes de Harry e Ron embarcarem. No entanto, eles arranjam uma forma muito peculiar de chegar a Hogwarts: de carro voador. No filme vemos o carro a passar pelo Hogwarts Express exatamente neste viaduto.

O Hogwarts Express da vida real chama-se Jacobite e é mesmo um comboio a vapor. Faz a travessia desde Glasgow até Mallaig, passando por Fort William.

Sim, tive de obrigar o João a fazer este desvio no percurso, não fosse eu fã dos livros de J.K. Rowling. À parte disso, até ele reconheceu que se trata de uma estrutura monumental, inserida numa paisagem pitoresca. Este viaduto, é um dos maiores construído totalmente em cimento, com 380 metros de comprimento, 21 arcos, chegando o maior a ter mais de 30 metros de altura.

Eilean Donan Castle e Isle of Skye

A ilha de Skye estava nos nosso planos. A ideia era reservar um alojamento por lá, dado que ainda não tínhamos estadia marcada para essa noite. No entanto, quando parámos num supermercado e vimos as notícias, a tempestade “Emma” tinha acabado de chegar ao Reino Unido, em conjunto com a chamada “besta do leste”. Nas horas seguintes iria atingir a Escócia com toda a força, estava previsto alerta vermelho e não se deveria circular nas estradas. Como não sabíamos bem o que ía acontecer, decidimos reservar estadia em Inverness, uma das cidades menos atingidas pelo nevão.

Os planos para visitar a Ilha de Skye saíram furados, com muita pena nossa. Fairy Glenn, The Storr, Kilt Rock, Quiraing, a zona de Portree e o Castelo Dunvegan foram alguns dos pontos que ficaram por explorar e a aguardar para uma próxima.

O máximo que nos aproximámos de Skye foi para visitar o Castelo Eilean Donan, bastante conhecido por servir de cenário a filmes como  Highlander e Elizabeth: The Golden Age. É considerado um dos castelos mais bonitos da Escócia e, quando lá chegámos percebemos o porquê.

O sol estava a pôr-se nos lagos e a atmosfera daquele lugar não dá bem para explicar. É um sítio carregado de história. Quando subimos a ponte construída na recuperação do castelo, somos transportados para os tempos antigos, dos Vikings e das batalhas sangrentas. Há sítios cliché que não podem faltar num roteiro e este é um deles!

Inverness e Lago Ness

Chegámos ao alojamento The Loch Ness Inn, junto ao lago Ness, ao final da tarde, sem saber bem qual seria o rumo do dia seguinte. Tínhamos planeado visitar Dundee e St. Andrews mas não sabíamos se seria possível.

Procurámos um supermercado na zona comercial de Inverness e decidimos comer no quarto, enquanto víamos as notícias. O panorama não era nada favorável nem animador. Havia estradas cortadas, carros parados nas estradas, escolas encerradas, os comboios não circulavam e os aeroportos de Glasgow e Edimburgo estavam fechados devido ao forte nevão. Alerta vermelho na Escócia.

Decidimos visitar Inverness na manhã seguinte e seguir diretamente para Edimburgo.

Visitar Inverness foi quase impossível, porque o frio era insuportável. Passeámos pelo centro, visitámos o Victorian Market, a catedral e o castelo. Sabíamos que a capital das Terras Altas merecia mais atenção, mas estávamos congelados e seguimos para Edimburgo.

A viagem foi feita quase sempre a 50km/h. Não parava de nevar, a camada de neve nas estradas era gigante e de vez em quando o carro escorregava. Depois de 260 kms a tentar não ter um acidente, chegámos ao aeroporto de Edimburgo e entregámos o carro. Os transferes estavam a realizar o trajeto para o centro da cidade e lá fomos nós no autocarro que espera logo à saída do terminal. Esta é a forma mais económica de chegar do aeroporto ao centro e se comprarem o bilhete de ida e volta é mais barato.

Quando chegámos a Edimburgo vimos uma cidade fantasma. Nevava intensamente, o frio cortava os ossos e a camada de neve era tão grande que era impossível não ficar com os pés ensopados. O comércio estava encerrado, excepto alguns restaurantes e supermercados. Restava esperar pelo dia seguinte, na esperança de conseguirmos caminhar e conhecer a cidade.

Gostaríamos de ter aproveitado de forma diferente, uma vez que muita coisa ficou por conhecer. No entanto são estas aventuras e histórias que temos para contar, quando nem sempre as coisas correm como planeado.

Esperamos um dia voltar porque a Escócia é, sem dúvida, uma maravilha natural. Um país cheio de recantos incríveis para nos perdermos e ficarmos boquiabertos com as paisagens soberbas que tem para nos oferecer.

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