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DACHAU | VISITA AO PRIMEIRO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DA HISTÓRIA NAZI

Dachau fica localizado a cerca de 25 km de Munique, na zona da Baviera, no sul da Alemanha. Foi aqui que se ergueu o primeiro campo de concentração da história da supremacia Nazi. E, por muito que seja um dos momentos mais cruéis da história da humanidade, nós quisemos pisar com os nossos próprios pés e ver com os nossos próprios olhos o local que deu início ao Terceiro Reich.

Consideramos que esta visita é obrigatória para quem viaja até Munique, por isso, se tiverem tempo suficiente na cidade não deixem de o fazer.

O que saber antes de ir...

  • Localização: 25 Km a Noroeste de Munique
  • Horário: Todos os dias das 9h às 17h (encerrado no dia 24 de Dezembro)
  • Preço: Gratuito

Mais informações em:

Como ir de Munique a Dachau?

Ir de Munique a Dachau é bastante fácil.

Nós já tínhamos como referência a Estação Central de Comboios de Munique (Hauptbahnhof), visto que foi dessa forma que chegámos à cidade, vindos de Berlim. Fica bastante perto da Karlsplatz.

Comprámos o bilhete, validámos e apanhámos o comboio da linha S2, em direção a Dachau/Peterhausen, viagem que durou cerca de 20 minutos. Devem descer na estação de Dachau.

Indicação da linha S2 do comboio para Dachau
Sair na paragem Dachau

De seguida procurem a indicação da paragem de autocarros (BUS) que fica logo em frente da estação e entrem no 726, sentido Saubachsiedlung e saiam na paragem KZ-Gedenkstätte. São mais 10 minutos de autocarro. No caminho de volta para Munique, devem esperar pelo autocarro do mesmo número, no mesmo sítio da vinda, e sair na paragem Dachau (S). Por via das dúvidas, sigam o aglomerado de pessoas.

Entrada do Campo de Concentração de Dachau

Nós saímos bem cedo de Munique, chegámos ao campo por volta das 9h30 e estávamos de regresso à hora de almoço, por isso achamos que uma manhã é suficiente para visitarem Dachau com a calma necessária.

Dachau, o modelo!

Dachau foi o primeiro campo de concentração da história do Terceiro Reich, o grande império de Hitler.

Foi construído em 1933, cerca de seis semanas após da ascenção de Hitler ao poder, e libertado em 1945 pelas tropas dos Estados Unidos, com 32.000 prisioneiros ainda vivos.

Foi conhecido, inicialmente, por receber presos políticos, opositores ao regime. Foi inaugurado, mais precisamente, a 22 de Março de 1933, recebendo 200 presos social democratas, sindicalistas e comunistas. Este local era uma antiga fábrica de pólvora, que foi convertida no campo, graças ao trabalho forçado dos primeiros presos. Depressa começou a receber judeus, testemunhas de Jeová, ciganos e homossexuais. Para além dos trabalhos forçados, os prisioneiros começaram a ser submetidos a experiências que os podiam deixar com algum grau de deficiência ou até levar à morte.

Alguns comandantes passaram por Dachau para aprender a gerir um campo de concentração. Daí, Dachau ter sido o modelo para os que foram construídos a seguir. O exemplo é Rudolf Hoss, que esteve em Dachau desde 1935 e, em 1940, passou a ser o comandante de Auschwitz. Dachau foi, também, um centro de treino para outros guardas nazis.

Portão de entrada em Dachau

Entramos neste lugar “saudados” pela célebre frase: “Arbeit Macht Frei”, que pode ser lida em todos os campos de concentração Nazis. Significa “o trabalho liberta“. Irónico, porque todos os que para aqui foram levados, não foi, de todo, como o intuito de serem libertos.

Pavilhão do Memorial de Dachau

Este pavilhão era o lugar onde os presos eram registados quando entravam no campo e despojados dos seus bens materiais. Era feita a triagem dos que eram aptos para trabalhar e dos que “tinham os dias contados”. De seguida passavam todo o processo de rapar o cabelo, desinfeção e atribuição do fardamento, o célebre uniforme às riscas. Atualmente, o pavilhão serve como museu onde podemos conhecer a história de Dachau. Existem relatos da vida no campo, das experiências feitas e do que foi o regime Nazi.

Lagerstrabe - Rua principal do campo

Ao percorrermos a rua principal do campo, agora despida de edifícios e arborizada, visualizamos no chão as delimitações onde outrora se erguiam os edifícios destinados ao dormitórios.

Beliche do pavilhão que servia de dormitório
Local de delimitação do pavilhão Nº15

Preservaram apenas um pavilhão para servir de exemplo aos que ali existiram, com os beliches, vulgo, tábua de madeira sem colchão, as sanitas e os lavatórios. Foram 34 barracões construídos para albergar 6.000 prisioneiros que, no auge, chegaram a ser cerca de 30.000.

Capela da Agonia Mortal de Cristo, erguida em homenagem aos mortos de Dachau
Vala para retenção dos corpos fuzilados dos que tentavam escapar

Passada a vedação, há um edifício com quatro divisões: a sala de desinfeção da roupa, a sala de espera (onde os presos aguardavam por um suposto banho), a câmara de gás e o crematório. No auge da supremacia de Hitler, este crematório não era suficiente, por isso muitos dos presos foram fuzilados no bosque das traseiras e depositados em valas comuns.

Interior do crematório de Dachau
Câmara de gás de Dachau

Visitar Dachau: a nossa experiência

Saímos de Munique com pequenas bolinhas de gelo a cair do ar. Quando chegámos a Dachau, a neve era tanta que os nossos pés se enterravam no gelo a cada passada. Entrámos por aquelas grades e pensámos: como é que foi possível alguma vez ter acontecido algo assim? Como é que é possível, ainda nos dias de hoje, sabermos que existe tráfico e escravidão. Tudo isso é um atentado à humanidade, enquanto ser pensante e com valores.

Sentimos frio ao entrar por aquelas portas. Mas o frio não era apenas o da temperatura. Era algo das entranhas entre o arrepio, o nervosismo, a compaixão e a ira. À medida que passávamos as salas no memorial, onde explicavam para que cada uma servia, o frio aumentava…

As fotos que guardamos deste lugar não são muitas, são as suficientes para criar este artigo, mas insuficientes para o que os nossos olhos viram. Enquanto estamos ali a vontade de tirar fotos não abunda. É tudo demais.

Predominou o silêncio e o frio.

Vedação de arame eletrificado na altura

Dachau foi o primeiro campo de concentração da história e também o nosso primeiro impacto com um lugar semelhante. Foi…frio! Saímos em silêncio! Gostaríamos de ter palavras que descrevessem. Mas a única que nos ocorre é…horrível. No entanto, acreditamos que é uma experiência que todos deviam ter, pelo menos uma vez na vida!

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