Reflexões

CORONAVÍRUS: O ANTES, O AGORA E O DEPOIS – A VISÃO DE DOIS VIAJANTES

Tema do momento: Corona Vírus ou Covid-19. Os jornais, os telejornais, as redes sociais não falam de outra coisa e este tornou-se o tema principal das nossas conversas.

Partilhamos este artigo, que pouco tem a ver com viagens, porque sentimos essa necessidade. Aquilo a que nos propusemos quando criámos o blog foi a partilha de roteiros e lugares. Mas, é também nosso objetivo partilhar as cores do mundo através dos nossos olhos, sem mentir sobre o que vemos e sentimos. O nosso mundo agora é este! E não vamos deixar de o partilhar apenas porque o coronavírus nos fez cancelar uma viagem e ficar em casa.

Queremos refletir sobre o antes, o agora e o depois. Refletir sobre comportamentos e ações. A nossa visão enquanto viajantes de um vírus que fez parar o mundo.

 

Tic Tac, Tic Tac!

Crono Vírus

São 3h30 da manhã de sexta feira 13 de Março.
Estou a escassas 10 horas de entrar de férias. A Mariana só sai às 24h, ainda lhe faltam mais algumas. À hora a que escrevo este texto ela dorme, já sabendo que a nossa espera de 6 meses pela nossa próxima grande viagem, as nossas poupanças para viajarmos para um dos destinos mais desejados por nós, não se vai realizar, que todo o dinheiro provavelmente irá ser perdido. A Polónia é uma miragem.
Se no início toda esta situação não me suscitava grande preocupação, hoje gera em mim um enorme respeito. Porque ninguém sabe o que aí vem. Estaremos preparados? Estamos a fazer o possível? Não me parece, de facto.
O relógio não pára de contar!
E o que sentimos é que os Portugueses continuam a não entender a gravidade da situação, muito por culpa da inconsciência de um governo que só tomará medidas quando, de facto, perdermos alguém.
Este é um vírus que lembra a fragilidade da nossa existência!
Em família decidimos que não nos vamos ver durante 1 ou 2 semanas, o tempo que for preciso. Queremos protegê-los e proteger-nos mas, acima de tudo, não potenciar esta coisa que veio com todo o tempo disponível para ficar. Já nós... Nós não temos todo o tempo do mundo.
A esta hora, em que partilhamos o texto, a Polónia fechou fronteiras a visitantes. Nós já tínhamos decidido antes de isto acontecer que não iríamos, mesmo que não conseguíssemos reaver o valor investido. O tempo continua a contar e este é momento de relativizar. Isso agora não importa.
Protejam-se, protejam os vossos, e lembrem-se que proteger, não é abraçar! Nunca a distância foi tão protectora!
E o cronómetro não vai parar de contar.
Porque inspirar não é só quando é para ir e mostrar sítios bonitos. Inspirar, é dar o exemplo quando é preciso, e ficar. Inspirar, é cuidar.

Este foi o texto escrito pelo João depois de termos decidido abdicar da nossa viagem à Polónia.

Inspirar é ficar em casa...

Antes...

INCERTEZAS

Este vírus veio montado no ar. Chegou sem avisar, fazendo sangrar pulmões que perdiam a capacidade de respiração e sucumbiam aos espinhos. Pelo menos é assim que interpretam os corpos dos mais frágeis ou, como dizem os peritos, dos grupos de risco. No entanto, quando tudo isto começou, supostamente a 31 de Dezembro de 2019, pouco se sabia acerca do tema. A situação era nova e as informações escassas, estando tudo ainda a ser estudado.

Então, enquanto não haviam certezas, seguimos o nosso caminho e ignorámos.

 

“LONGE DA VISTA, LONGE DO CORAÇÃO”

Uma frase típica portuguesa que encaixa perfeitamente nesta situação. Desvalorizamos o que não vemos, porque aquilo que não nos está à vista, também não gera emoção.

Ele estava longe, do outro lado do mundo. Isso significava que nada nos iria afetar, só aos outros. Aos outros que estavam longe, a milhares de milhas aéreas. Mas ele veio montado no ar e, todos respiramos o mesmo.

Mesmo assim, enquanto não haviam certezas, seguimos o nosso caminho e ignorámos.


ABDICAR ERA NECESSÁRIO

A nossa liberdade termina onde começa a do outro. Este pensamento tem de ser uma corrente.

Se queremos ser seres do mundo temos de dar o exemplo. Viajar não é apenas entrar no avião e ir. É reconhecer que as nossas ações têm um impacto. Devemos entender que nós somos uma gota num oceano, aparentemente saturado da nossa poluição e que nos cabe a nós fazer, ser e, sobretudo, saber estar. Abdicámos da nossa viagem, sem esperar nada em troca, por um bem maior. Mal sabíamos que iríamos reaver tudo o que investimos, devido às proporções que tudo tomou. Mas, olhando para trás, mesmo que isso não acontecesse, estaríamos de consciência tranquila de que fizemos a escolha certa. Não pensámos em nós, porque ninguém gosta de perder dinheiro, mas sim nos que nos são próximos, na família e nos amigos que não teriam culpa caso fôssemos a bomba relógio que cospe coroas de espinhos.

Agora...

OLÁ, EU SOU O CORONAVÍRUS!

Chegou! Chegou à Europa e chegou a Portugal! Chegou e vem com toda a força. Não escolhe etnias, religião ou classe social. É um vírus de todos e para todos, sem excepções. Não se subjuga a subornos. Agora sim, somos todos iguais e embarcamos juntos numa Arca de Noé apenas de humanos, perseguidos por uma coroa de espinhos invisível. Mas deixamos de fora os animais que eles não tem culpa e a mãe natureza está a dizer-nos algo. 

Fonte: WHO

ISOLAMENTO

Agora ficamos em casa, privados do mundo exterior, saímos apenas para trabalhar (se o nosso local de trabalho assim o exigir), para comprar bens alimentares, passear os animais de companhia ou fazer desporto. Reduzimos a nossa presença às quatro paredes de casa. Queixamo-nos. Mas inventamos mil maneiras de passar o tempo e de evitar lamúrios. E que sorte temos em viver no século XXI. Há redes sociais que reduzem a distância emocional, não a física, porque essa proximidade não deve existir neste momento. Temos jogos, livros, um jardim e uma capacidade infinita de poder tirar partido disto. Somos bombardeados com informação sobre sugestões para nos mantermos saudáveis, física e mentalmente.
 
E sabem qual a ironia no meio disto? Íamos a Auschwitz nestas férias. A nossa visita estava marcada para ontem, dia 21, às 8h da manhã. Íamos pisar o local onde houve uma verdadeira privação de liberdade ao ser humano. E sabem que mais? Não foi nenhuma coroa de espinhos invisível que entrou naquele lugar.
 
 
RESPONSABILIDADE SOCIAL
Por isso, o nosso isolamento deve ser relativizado. Não temos escolha quanto a isso, mas podemos e devemos escolher a responsabilidade social e a resiliência. Devemos escolher fazer o que é certo e ficar em casa. Devemos escolher adotar todas as medidas de proteção necessárias e indicadas sempre que saímos de casa, porque temos de ir trabalhar ou precisamos de comprar pão. Podemos escolher ser racionais e racionar. Escolher não trazer meio supermercado porque existem mais pessoas que precisam, principalmente aquelas que continuam a trabalhar e só conseguem lá ir a determinada hora ou os idosos que não compram à velocidade estonteante dos açambarcadores. Podemos escolher acreditar que, no fim de tudo isto passar, vamos enfrentar outra luta igualmente dura de nos reerguermos, mas tudo vai dar certo. Vamos escolher a resiliência.
 
Se custa estar isolado e cumprir? Se calhar sim. Mas custa mais sair todos os dias de casa para trabalhar na incerteza se vamos soprar coroas de espinhos aos que ficam.

 

Fonte: WHO

SAÚDE

Antes, não ouvimos os pedidos desesperados dos profissionais de saúde, que foram colocados de lado face a negócios mais importantes do governo.

No entanto, hoje são heróis sem capas e, por capas, entenda-se, materiais de proteção que, infelizmente não existem em todo o lado nas quantidades necessárias. Se existissem, não havia um fundo de doação na WHO (Organização Mundial de Saúde) para comprar este tipo de material.

Os heróis agora são aplaudidos de pé, nas varandas deste mundo, como se fossem a salvação e a ínfima réstia de esperança no meio disto. Então, a nossa esperança é que, no futuro, alguém os ouça.

O que é que nós (povo) podemos fazer para ajudar? Aquilo que nos compete. Ficar em casa ou cumprir as medidas de proteção quando for necessário sair. Custa mais ser profissional de saúde num local sem meios para fazer face a tudo isto, enquanto nós… Nós só temos de ficar no conforto do lar! É fácil a escolha certo? Mas se não escolhermos isto quem terá de escolher serão eles. Escolher quem vai ou quem fica. E acreditem, não há nenhuma licenciatura na vida que nos ensine a lidar com essa tomada de decisão.

Depois...

Quando a tempestade passar enfrentaremos um cenário económico débil. Enfrentaremos uma nova luta, certamente.

Mas, enquanto tudo isto acontece vemos cidades vazias, a poluição diminuiu, lagos que recuperam os tons azuis, animais que não carregam turistas às costas, entre muitas outras coisas que podíamos aqui referir.

E o que vamos aprender com isto tudo? Se não aprendermos nada acreditamos que merecemos mesmo o que estamos a viver agora! Vamos TODOS ser mais MUNDO!

A última escapadinha antes do Corona Vírus - Casal Novo (Lousã)

Porque os viajantes têm o dever de viajar com consciência. E devem, sempre que necessário, ter a consciência que ficar, é ajudar o mundo que gostam tanto de desbravar.

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